-Que belo restaurante, nunca o teria encontrado.
-Fico agradado pela aprovação.
Recusei a ementa, dizendo que já tinha escolhido. Levantei-me e fui interrompido por um:
-Onde vais?
-Venho já, não te preocupes.
Fui ter com o Sr. Manuel, um empregado do restaurante que já conhecia todos os meus gostos, pedi-lhe para nos trazer qualquer coisa leve, muito leve, para o jantar, que deixava a escolha com ele e com seu bom gosto. Nada de bebidas alcoólicas, e que para sobremesa poderiam ser uns crepes com gelado, uns morangos a acompanhar e calda de chocolate quente à parte. Era uma espécie de surpresa, que lhe queria fazer, e ao mesmo tempo ser surpreendido pelo Sr. Manuel, um homem com um extremo bom gosto.
Durante o jantar os temas foram os mais variados, desde politica até ao desporto, passando pela televisão e pelos programas de culto. Findado o jantar, decidimos ir dar um passeio pelo passadiço, que naquela noite parecia estar a levitar sobre as dunas, foi então que parei naquele lugar, bem lá no meio do passadiço, onde a vista é simplesmente sublime, nunca tinha lá estado de noite, toda a praia ganhara outra dimensão. Ela ali ao meu lado, perguntava o porquê de tal paragem, se ela tinha dito algo de errado, disse-lhe que não, que estava tudo bem. Coloquei-me atrás dela.
-Fecha os olhos. – pedi-lhe eu.
Ela intrigada, e meio assustada lá os fechou com algum receio, eu ainda era um perfeito desconhecido, com as mãos tapei-lhe os olhos e sussurrei-lhe ao ouvido:
-Esquece tudo em que estás a pensar.
-Descontrai-te.
-Não pense em nada.
-Vá lá descontrai-te.
Comecei a sentir que ela já estava mais descontraída e:
-Agora abre os olhos.
-O que vês?
-Sim é lindo, nunca pensei que pudesse ser assim tão belo. Não me tinha apercebido desta bela paisagem.
Era típica paisagem de luar numa praia que mais parece uma baía.
Foi então que ela pegou nas minhas mãos e fez com eu a abraçasse, ai como eu estava a gostar daquele momento, ela ali no meio dos meus braços, a agradável fragrância que saia do seu cabelo, era única, não se conseguía descrever. Os nossos corpos a comunicarem entre si através do calor que deles emanava, numa linguagem muita própria, estava a deixar-nos completamente loucos, foi então que o telemóvel dela toca, era o namorado, ou o ex-namorado, já que a relação deles andava algo meio tremida.
-Não atendes?
-Não, não me apetece falar com ele.
-Tudo bem, mas acho que seria melhor atenderes.
-Estou, diz lá o que queres?
Huumm!! As coisas estão mesmo más entre estes dois., pensei eu naquele momento, mas fiz-lhe sinal para irmos para o carro, uma vez que a noite já estava estragada, o melhor mesmo era ir embora, não queria aproveitar-me da situação. Não seria muito cordial da minha parte, tirar partido da fragilidade emocional dela. Acabado o telefonema:
-Então já vamos embora?
-É melhor, não deves estar com paciência, principalmente depois de desse telefonema.
-Queres falar, sobre o que se está a passar?
-É melhor não prefiro esquecer, é passado.
-Muito bem, tu é que sabes. Mas agora vamos lá embora, que já é um pouco tarde.
Entramos no carro, o clima estava um pouco pesado devido ao maldito telefonema que ela tinha acabado de receber. Pus o tal CD de R&B a tocar, para ver se ela esquecia o telefonema, no entanto senti a mão dela a agarrar a minha, olhei-a, e ele num gesto rápido ela puxou pelo meu pescoço e tentou-me beijar.
-Não! – disse eu.
-Não é justo da minha parte, aproveitar-me de ti neste momento. Sim apetece-me imenso beijar-te, mas não assim, estás a vingar-te do teu namorado ou ex. Não te quero assim, nem quero que o faças assim.
Ela, ainda tentou retorquir, mas eu não deixei, pus-lhe um dedo junto aos lábios e pedi-lhe silêncio.
-Fecha os olhos, e ouve a música, descansa.
Partimos rumo a casa dela.