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Carta – II

Ando a escrever este texto já há quase 2 meses, sempre que pego nele as ideias vão-se, fogem, por isso segui a ideia de exercício de escrita, por este motivo é que se designa de Carta – II, e como tal está na secção carta.

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Olá meu amor,

O dia de hoje não correu lá grande coisa, o tempo custou a passar, tentei trabalhar, escrever, ouvir música, manter a cabeça ocupada para não pensar em ti. A distancia mata por dentro, por fora pode não se ver mas por dentro está a arder. Camões já dizia:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

nunca Camões esteve tão certo, dói por dentro, é o estar preso a ti de livre vontade, é o estar contente só por te ter aqui ao meu lado, mas no fim é o ficar com sabor a pouco e querer mais. Sei que estás longe a ler estas palavras, sei que sente o mesmo, sei que nada podemos fazer para matar estas saudades a não ser as nossas breves visitas ao fim de semana.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

Amo-te, sinto saudades tuas, sem o teu amor sou um solitário.

Eternamente teu, mas cheio de saudade.

 
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Publicado por em Maio 3, 2007 in carta, Uncategorized

 

Carta – I

Por vezes dá-me para isto para fazer exercícios e escrita, ou seja, deixar a caneta ou o teclado comandar as minhas ideias, hoje não vai ser diferente, apenas um exercício.

Olá meu amor,
O dia passou-se bem, trabalhou-se pela noite a dentro e pela madrugada também, como tal já sabes como foi o resto dia, foi um sucumbir ao prazer de nada fazer e de tudo fazer. Leu-se um pouco, ouviu-se muita música, passeou-se um pouco, tirou-se algumas fotos, daquelas sem calor humano, daquelas que tu nada gostas. Acabei de ler o livro que andava a ler se existe lição a aprender é que não me posso fechar tanto, não posso blindar tanto os meus sentimentos, sim tinhas razão, não vale a pena guardar tudo para mim, somos um casal e como tal tu também sofres por não viveres os meus problemas. Durante o dia cheguei várias vezes a pegar no telemóvel para te telefonar, para partilhar algumas coisas contigo, mas depois lembrei-me que irias pagar romming -rais parta o romming- e que o mais certo era estares numa qualquer reunião daquelas muito chatas que nós nada gostamos. O sofá chora por ti, diz que sente as saudades de ter teu corpo deitado sobre ele, que sente saudades do teu calor, por incrível que pareça a cama confessou-me o mesmo, ai como eles gostam tanto de ti. As crianças estão bem os teus pais e os meus vão dando um ajuda quando o trabalho aperta, cumprem com a função deles de avós e como eles gostam disso é vê-los a brincar por vezes parecem mais crianças do que eles, mas sabe também estar ali a olhar para tanta felicidade, sim aproveitei e também tirei fotografias, e sim também as vais receber por email, quanto mais não seja pode ser que sirvam de catalisador para saíres dai a meio de um reunião com tantas saudades. hehehehe, eu que isto não se faz mas tu gostas de ver estas fotografias. Hoje encontrei os nosso amigos Carlos e sua bela esposa Andreia, estão bem, ele está mais gordo ela bela como sempre – mas não tanto como tu – no meio da conversa cheguei mesmo a dizer à Andreia,

- Olhá lá como é que ainda não mandaste este gordo desnaturado dar uma volta, olha para ele está a ficar pronto para o espeto.
ao que ela anuiu logo,
-Tenho de fazer a mesma pergunta à tua senhora! Vocês os dois não tem cura, são assim e nós gostamos de vocês, são o nosso calcanhar de Aquiles.
e então o Carlos saiu-se com esta:
-Vês eu não te dizia que éramos mesmo bons na cama, achas mesmo que elas tão belas e tão elegantes continuavam connosco se nós não fossemos assim tão bons só como nós sabemos ser. Ai aquelas orgias no tempo da universidade serviram para alguma coisa!! Ai se serviram…
-Goza, goza, não sabia que tinhas dado facadinhas na relação e logo no inicio. – disse logo a Andreia meio a brincar meio a sério.
-Ups, alguém vai dormir na sala. Sempre podes ir lá para casa, mais uma criança não faz a ninguém. – brinquei eu com eles os dois.

Os miúdos estão neste momento a dizer que mandam muitos beijinhos para a mãe e que ainda apanham o trenó do Pai Natal (ele empresta – dizem ele) só para te ir buscar. Ah! Hoje esteve aqui um senhor à tua procura, sim senhor temos um amante muito porreiro e que bonito que ele é, OH! OH! Que casal mais sofisticado que nós somos! Ok, ok, eu deixo-me de brincadeiras era só o jardineiro que vinha buscar o ordenado.
Não sei se hoje já te disse que o quanto te amo, o quanto gosto de ti, que as saudades ainda me vão matar do coração, sim ainda só passaram 2 dias, mas isso é uma eternidade. Como isto já está a ficar grande de mais, acho que tenho de acabar com o eternamente teu, blá blá.

Eternamente teu, mas cheio de saudade.

 
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Publicado por em Abril 5, 2007 in carta, Uncategorized

 
 
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